A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) engloba um complexo grupo de entidades clínicas com uma característica comum, a artrite. É a doença reumática mais frequente na infância. Apresenta uma prevalência de 0.07 a 4 /1000 crianças e uma incidência anual de 0.008 a 0.226/1000 crianças.
A AIJ é uma doença inflamatória crónica que cursa com períodos de remissão e outros de exacerbação da doença. Caracteriza-se pela existência de artrite, de etiologia desconhecida, com mais de 6 semanas de evolução e com início antes dos 16 anos de idade.
A sua etiologia e patogénese não está completamente esclarecida, sabendo-se que indivíduos geneticamente predispostos, desenvolvem a doença quando submetidos a determinados estímulos ambientais. Subdivide-se em sete entidades diferentes: oligoarticular; poliarticular com e sem fator reumatóide; sistémica; artrite relacionada com entesite; psoriática e indiferenciada. O subtipo oligoarticular (envolvendo menos do que 5 articulações) é o mais frequente representando 40 a 50% dos casos de AIJ. A idade de início e a distribuição por sexos variam consoante o subtipo de doença, podendo a AIJ surgir em crianças com idade inferior aos 2 anos. Clinicamente as crianças podem apresentar sintomas gerais como febre e mal-estar. A artrite pode surgir como tumefacção articular com ou sem rubor, habitualmente sem dor mas associada a diminuição da amplitude articular e rigidez matinal. As articulações sacroilíacas podem também ser afectadas pelo processo inflamatório, bem como o local de inserção dos tendões nos ossos (entesite).
A psoríase pode preceder, surgir concomitantemente ou após a artrite. A uveíte anterior (inflamação da camara anterior do olho) é uma das manifestações sistémicas mais temidas pois é habitualmente assintomática mas se não tratada adequada e atempadamente poderá acarretar diminuição franca da acuidade visual. O subgrupo de crianças com maior risco desta complicação são as do sexo feminino, com menos de 4 anos de idade, com doença oligoarticular e portadoras de anticorpos antinucleares (ANA’s).
Na AIJ sistémica as manifestações sistémicas são preponderantes (febre, exantema no tronco e membros, adenopatias, hepatoesplenomegália, entre outras). As alterações laboratoriais como, elevação dos parâmetros inflamatórios, alterações hematológicas (anemia, trombo e leucocitose), aumento das enzimas hepáticas, são importantes para o diagnóstico e controlo da evolução da actividade da doença. A complicação mais grave desta patologia é a Síndrome de Ativação Macrofágica.
O diagnóstico e tratamento precoces com anti-inflamatórios não esteróides, corticosteróides (orais ou intra-articulares) ou agentes imunossupressores melhoraram significativamente a morbilidade e mortalidade destes doentes. Os agentes imunossupressores biológicos têm-se demonstrado seguros e eficazes no tratamento de formas mais agressivas da doença, quer na sua componente articular como nas manifestações sistémicas da doença.
O tratamento não farmacológico como, a fisioterapia, o exercício físico, uma alimentação cuidada com reforço da ingestão de alimentos ricos em cálcio e o eventual apoio psicológico, têm um papel fundamental no equilíbrio e bem estar destes doentes. Um dos objectivos atuais no tratamento dessa patologia é atingir a remissão da doença, permitindo optimizar o crescimento e desenvolvimento da criança, maximizando a função articular, melhorando assim a sua qualidade de vida.








