Quando colocamos o nosso enfoque naquilo pelo qual nos podemos sentir gratos geramos calma e confiança no processo da vida, com repercussões na nossa saúde e bem-estar, a nível emocional, físico e mental.
“Quando beber água, lembre-se sempre da fonte.” Provérbio Chinês
A tomada de consciência de tudo aquilo pelo qual nos podemos sentir gratos representa um salto no pensamento quotidiano, no rodopio diário de afazeres, maioritariamente repleto de preocupações. Para isso, é imprescindível fazer uma pausa – por vezes somos a tal obrigados-, ouvirmos a nossa mente e apercebermo-nos do quanto nos pode enlouquecer se dela formos escravos, em vez de a encararmos como ferramenta de crescimento ao nosso dispor.
Cultivar a gratidão implica não apenas ouvir a mente, mas também o coração, ouvir e senti-lo, e deixar que se exprima nas coisas mais simples. Quando nos sentimos gratos pelo milagre que é acordar todas as manhãs, num corpo que esteve a funcionar “sozinho”, pela dádiva que é respirar, abrir os braços e sentir o sol a preencher-nos, sentir a água na pele, dar um abraço, ouvir o chilrear dos pássaros…; só quando nos sentimos gratos pelo milagre que a vida representa estamos no caminho para a verdadeira descoberta de nós próprios, de qual a nossa missão connosco e com os outros. Sinta-se, pois, muito grato à vida diariamente, até pelas experiências “mais simples”, pois cada momento que vivemos é um presente que nos é oferecido e por isso é valioso; e, em simultâneo, esteja consciente de que as experiências menos boas nos são apresentadas com um propósito, pelo que procure não sucumbir às mesmas, encarando-as como aprendizagem e desafios a ultrapassar.
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, as nossas emoções encontram-se intrinsecamente ligadas ao funcionamento dos nossos órgãos e um desequilíbrio a nível emocional pode provocar um desequilíbrio no órgão correspondente e vice-versa. É normal sentirmos todas as emoções, mas certas emoções sentidas durante um longo período de tempo poderão provocar um desequilíbrio orgânico respectivo: raiva/frustração-fígado; euforia-coração; preocupação-baço; tristeza-pulmão; medo-rins. Nós somos um todo, o que pensamos e sentimos reflecte-se no nosso corpo, as nossas desordens físicas manifestam as nossas emoções. Por este motivo, devemos fluir livremente pelas emoções, sem nos determos em nenhuma, cultivando emoções positivas, que nos façam (r)estabelecer o equilíbrio emocional, físico e mental.
A gratidão é um dos antídotos para emoções negativas, estar grato por tudo o que se tem é um dos elementos presentes no que se denomina por felicidade. Somos mais felizes quando gratos pelo que temos, pelo contrário, somos avassalados por angústias e medos quando nos centramos no que desejamos e ainda não alcançámos. É normal e saudável estabelecer objectivos a alcançar e empreender acções para o conseguir, mas em simultâneo praticar a aceitação e a gratidão por aquilo que a vida nos trás a cada dia, eis, sem dúvida, um elemento chave para criar felicidade, porque não é a felicidade que traz a gratidão, é a gratidão que traz a felicidade.
A nossa experiência terrena tem um fim, convém que a desfrutemos da melhor forma, vivenciando as experiências que nos são apresentadas, com maturidade e aprendizagem. O sentirmo-nos gratos faz parte da nossa comunhão com o todo. Quando nos sentimos gratos estamos em harmonia com o Universo, comungamos de uma energia que nos nutre e isso expressa-se em tudo o que fazemos e em tudo o que nos rodeia.
Artigo pulicado na Revista Progredir, nº 47, pp.40-43.
Marta Dutra
Terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa
Consultora de Feng Shui
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