"Somos um todo. Podemos dividir-nos em partes, mas é na reintegração das partes – Corpo, Mente, Emoções - que obtemos o equilíbrio que potencia a nossa saúde. "
Ao falarmos sobre hábitos ou cuidados de saúde que todos devemos ter, o enfoque é colocado maioritariamente nos cuidados a prestar ao corpo físico. É natural que assim seja, pois encontram-se relacionados com as nossas necessidades mais básicas. Mas, como seres holísticos que somos, integramos também outras vertentes igualmente importantes: mente e emoções. Podemos desconstruir e analisar separadamente cada uma das partes, se necessário, mas para entendermos o seu real significado temos de as integrar no todo que nos constitui, pois a saúde em geral depende de um equilíbrio que se obtém da conjugação do corpo físico, mente e emoções.
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, as causas das patologias podem ter uma origem externa a nós ou serem provocadas por factores internos.
De uma forma muito sucinta, podemos apontar como causas externas os factores climatéricos e as doenças infecto-contagiosas. Por exemplo, numa situação em que a energia defensiva do organismo não esteja suficientemente forte para combater o frio, dando origem a uma patologia. (Poderíamos dizer o mesmo acerca do vento, humidade, secura e calor de Verão.)
Por outro lado, temos como factores internos emoções, como raiva/frustração, euforia, preocupação, tristeza, medo, etc., que em circunstâncias normais não originam doenças, mas cujo prolongamento excessivo provoca um desequilíbrio que poderá gerar uma patologia. Assim, sabe-se que a raiva afecta o funcionamento do fígado/vesícula biliar, a euforia o coração/intestino delgado, a preocupação o baço/estômago, a tristeza o pulmão/intestino grosso, o medo os rins/bexiga; e vice-versa, ou seja, que se o estado dos órgãos mencionados se alterar se podem gerar as emoções correspondentes também.
Para além disso, temos ainda outros factores como constituição fraca, alimentação desequilibrada, fadiga/excesso físico, mental ou sexual, parasitas e venenos, tratamento incorrecto, trauma físico, etc.
Entretanto, o nosso estado mental também afecta tudo o resto, a nossa energia e a nossa essência. Uma mente perturbada, pensamentos negativos prolongados, irão gerar stress emocional e perturbar também o funcionamento orgânico.
Somos, pois, um todo. O que pensamos e sentimos reflecte-se no funcionamento orgânico; os nossos desequilíbrios orgânicos manifestam-se nas nossas emoções e mente. Para além disso, o que pensamos gera energia e potencia acontecimentos, pelo que devemos estar atentos à realidade que nós próprios estamos a criar.
Assim sendo, ao pretendermos cuidar ou melhorar a nossa saúde, podemos adoptar medidas várias, tanto a nível físico, como mental e emocional.
A nível físico, seguir uma alimentação saudável, repouso adequado, resguardarmo-nos dos excessos a nível de exposição aos factores climatéricos, mas também dos excessos a nível do próprio exercício físico e actividade sexual, não esquecendo algo fundamental: o equilíbrio.
A nível emocional, deveríamos começar cedo a cultivar a nossa inteligência emocional, para mais cedo compreender, trabalhar e resolver as várias emoções que vamos sentindo e que, por vezes, reprimimos e acumulamos em tensões, desequilíbrios e doenças.
A mente alberga as nossas crenças, percepções, memórias, experiências e ambições. É uma ferramenta poderosa, que poderá trabalhar a nosso favor, se a soubermos utilizar adequadamente. Mas quantas vezes nos identificamos com o nosso pensamento negativo, com todas as nossas ansiedades, com todas as emoções angustiantes que a nossa mente processa? Quantas vezes já sentimos que a nossa mente nos enlouquece?
Hoje, técnicas como meditação e mindfulness são cada vez mais divulgadas para fazer face a este comum pensamento excessivo.
Resumindo, para cuidarmos da nossa saúde, devemos prestar atenção aos vários elementos que nos constituem e que nela interferem. E, muito importante, descobrirmos a causa das patologias ou desequilíbrios que existam. Uma pessoa com o sistema imunitário enfraquecido pode recorrer a várias terapias, iniciar a toma de vitaminas, fazer repouso, etc., mas se a causa desse enfraquecimento residir num desgaste mental e/ou emocional, tal não deverá, de modo algum, ser descurado.
Embora algumas terapias possam estar mais indicadas para um efeito directo numa das vertentes vistas, a verdade, é que acabará por ter efeitos nas restantes, pois, como vimos, tudo se encontra interligado. Consoante o caso específico, poderá optar por recorrer a uma ou várias terapias como acupunctura, massagem terapêutica, fitoterapia, dietética, reiki, meditação, mindfulness, tai ji, qi gong, outros exercícios físicos, aconselhamento psicológico, etc., etc. e, sobretudo, apostar na prevenção, pois devemos cuidar para não adoecer.
Artigo pulicado na Revista Progredir, nº 52, pp.14-18.
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Marta Dutra
Terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa
Consultora de Feng Shui
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